DISCURSO DO PRESIDENTE DA OAB-PARÁ NA POSSE DO EXMO. SR. DR. PRESIDENTE DO TRT 8º. REGIÃO, DR. HAROLDO DA GAMA, NO DIA 06 DE DEZEMBRO DE 1996.

 

Cumprimentos de praxe,

Minhas senhoras e meus senhores,

 

 

O cantor inglês PRINCE resolver adotar como nome um símbolo incapaz de ser pronunciado.

Um repórter da revista "Newsweek" perguntou a ele o porque de tão curiosa decisão.

PRINCE respondeu:- "When the lights go down and the microphone goes on, it doesn’t matter what your name is".

Em uma tradução livre, PRINCE quis dizer que "quando as luzes se apagam e os microfones são ligados, não importa o que diz o seu nome".

O importante é que o cantor cante bem. É isso que o público espera dele. se ele cantar bem, não importa o seu nome. Importa é como ele cantou, ou seja como cumpriu a missão da qual foi incumbido pelo público pagante.

Se cantou mal, desapontou o público que pagou para assisti-lo. Também neste caso, não importa o nome que tenha, ou a fama que desfrute. Ele não cumpriu sua missão devidamente. Seu nome e nada é a mesma coisa.

Os mandatos que nós desempenhamos, nos cargos de direção que ocupamos nas instituições a que pertencemos, é mais ou menos como PRINCE descreveu:- quando as luzes se apaga, no final de nossos, não mais importa o nome que temos, ou a fama que desfrutamos. O que vale é o que fizemos ou deixamos de fazer.

E quem vai dizer se o nosso trabalho foi bom, ou mal, não seremos nós próprios. Será o público destinatário dele. No caso da Presidência do TRT-8ª. Região, como do TJE-PA., da OAB-PARÁ, da Chefia do Ministério Público, e tantos outros correlatos, esse público é constituído de Juizes, Advogados, membros do Ministério Público, Serventuários, Servidores, Governantes de todos os níveis de hierarquias, e o povo em geral.

V.Exa. eminentíssima Sra. Dra. MARILDA WANDERLEY COELHO, para que os "spot lights" da Presidência desta Corte da Justiça Trabalhista hoje se apagam, realizou um show inesquecível em sua função nestes 2 (dois) últimos anos de trabalho. Cantou como uma Maria Calais. Realizou tudo aquilo que se esperava que fosse realizado por uma dama de tão fino trato, à frente de uma instituição tão importante.

Estou absolutamente seguro de que V.Exa., a partir de hoje, ao se referir a Presidência desta Casa, está plenamente autorizada a declamar MÁRIO QUINTANA para aos seus queridos pares:- "Vocês passarão, Eu, passarinho..."

A V.Exa., cultíssimo Senhor Doutor Juiz HAROLDO..., que hoje assume a Presidência do TRT-8ª. Região, cabe receber o microfone das mãos de sua antecessora, e mostrar o que sabe fazer com ele.

Sua tarefa é gigantesca. Sua responsabilidade são incomensuráveis. As esperanças que se lhe depositam em seu trabalho, são enormes.

Em compensação, Doutor HAROLDO, todos sabemos que sua têmpera é forte. Que seu espírito é guerreiro.

V.Exa., durante seu mandato como Presidente desta Casa, tal como tem sido como Juiz desta Corte, vai estar muitas vezes mais com os seus amigos aqui presente. Serão encontros para tratar dos superiores interesses comuns de nossas categorias profissionais.

E todas as vezes que assim for feito e assim se fizer, tenho certeza que V.Exa., o fará com a mesma grandeza com que ANÍBAL, o CARTAGINÊS, fez como general romano, CIPIÃO, - chamado de o AFRICANO -, nas areias do deserto da Líbia.

A pedido de ANÍBAL, CIPIÃO concordou em com ele se encontrar para se conhecerem, já que tanto se admiravam sem nunca se terem visto.

Na véspera do combate decisivo, ambos envergaram seus mais garbosos trajes de combate e, ao por do sol, dirigiram-se ao campo de batalha, tendo suas tropas à retaguarda.

Apearam dos cavalos; cumprimentaram-se reverenciosamente; disseram da admiração que cada um nutria pelo outro desde a juventude; reafirmaram suas fidelidade às próprias pátrias e prometerem, um ao outro, combater o bom combate. Retornaram aos seus acampamentos e, no outro dia, travaram a mais renhida e sangrenta batalha que se notícia nas guerras púnicas.

Derrotado, ANÍBAL voltou à sua atividade política em Cartago, para pagar o altíssimo tributo de guerra aos romanos.

Um dia, um escravo bateu à sua porta pedindo que fugisse imediatamente, pois, CIPIÃO, estava milhas náuticas dali, com ordens do Senado Romano para destruir Cartago. CESAR queria cumprir sua promessa:- "Delenda est Cartago".

O fiel escravo havia providenciado um barco, que levou ANÍBAL para o exílio na Pérsia. Passados tempos, ANÍBAL, supresso, recebeu uma visita de CIPIÃO em sua casa, no exílio. Conversaram sobre suas alegrias e tristezas durante aqueles anos. ANÍBAL guardava a mágoa de, por ter se dedicado às guerras, jamais ter conhecido o único filho que tivera, com a única mulher que amara durante toda sua vida. Já no por do sol, ANÍBAL foi levar CIPIÃO até sua liteira e, entre os carregadores, reconheceu o escravo que, anos atrás, havia salvo sua vida, providenciando sua fuga.

Mais tarde, ANÍBAL foi finalmente feito prisioneiro de Roma. Morreu cego em uma masmorra. CIPIÃO encontrou o filho de ANÍBAL e o adotou como seu filho. E mais:- fê-lo cidadão romano e até o elegeu Senador.

Dessa história real antiga, pode-se colher uma lição atual:- nenhuma grande divergência pode obstruir uma sincera e leal amizade. Como dizia o poeta FERNANDO PESSOA:- "Tudo vale a pena quando a alma não é pequena".

É o que a OAB-PARÁ, sinceramente, espera e deseja a V.Exa. e à sua administração, que hoje se inicia.

Tenho dito !

 

 

SÉRGIO A. FRAZÃO DO COUTO

Presidente da OAB-PARÁ

 

 

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